A relação do brasileiro com dinheiro e a educação financeira no Brasil

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Historicamente, o Brasil não tem tradição em ensinar educação financeira nas escolas e isso ajuda a explicar porque a relação do brasileiro com dinheiro​ poderia ser melhor. No entanto, esse cenário deve mudar nos próximos anos. A educação financeira vai entrar na Base Nacional Comum Curricular e não deve ficar restrita à abordagem nas aulas de matemática.

Para entender melhor a maneira como nós, brasileiros, nos relacionamos com o dinheiro, continue acompanhando o post!

Educação financeira no Brasil

Além da inclusão na sala de aula, o 2º Mapeamento Nacional das Iniciativas de Educação Financeira, mostra que as ações para promover o assunto nas escolas públicas cresceram nos últimos anos. Em 2013, cerca de 30% das escolas organizavam atividades de educação financeira. Em 2018, metade das instituições promoveu alguma ação nessa área.

Com o avanço do ensino, a expectativa dos especialistas é preparar não apenas crianças e jovens para organizar o próprio orçamento, mas ter um impacto positivo na vida das famílias.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Educação Financeira nas Escolas, 81% dos alunos com educação financeira guardam parte do dinheiro que recebem para realizar sonhos. Nesse mesmo grupo, 71% ajudam os pais a comprarem com mais consciência. Esse levantamento foi realizado pela Unicamp em parceria com a Abefin e o Instituto Axxus.

Em casa, o tema dinheiro deve ser uma constante. Afinal, quem nunca ouviu os pais dizendo que é preciso economizar? No entanto, é raro ver uma família se reunir para conversar abertamente sobre as contas e os problemas envolvendo o orçamento doméstico. Geralmente, os pais tentam blindar os filhos das conversas mais difíceis.

Segundo a pesquisa da Unicamp, 98% dos jovens com educação financeira se reúnem com os pais para falar sobre dinheiro. Já no grupo que não recebe esse ensino, a taxa de abordagem cai para 33%.

Se em família esse tema não tem muito espaço nas discussões, entre amigos e colegas de trabalho ele vira tabu. Afinal, quantas pessoas admitem que estão com problemas para pagar as contas ou têm dificuldade para gerenciar o orçamento? Para quem decide oferecer ajuda a alguém em dificuldade, o gesto é até considerado falta de educação.

Essa resistência em abordar temas relacionados à educação financeira acaba sendo prejudicial para o nosso aprendizado e planejamento. Sem buscar informações e discutir alternativas com a família para melhorar a situação da economia doméstica, deixar as contas em ordem se torna um objetivo distante.

Consequências da falta de educação financeira

Na prática, a falta de educação financeira traz uma série de problemas. Desde o pagamento em dia de contas de consumo até a poupança para conseguir dar entrada na casa própria, as dificuldades em gerir o próprio dinheiro se multiplicam quando falta informação. Veja a seguir as principais consequências disso:

Consumo compulsivo

O primeiro sintoma da falta de educação financeira é o consumo compulsivo. Gastar além do previsto em uma compra, adquirir produtos e nunca usar ou jogar fora muitos alimentos são alguns sinais de que, provavelmente, nosso dinheiro não tem sido bem administrado.

Além de não saber identificar quais despesas são prioridades, dizer não às promoções das lojas que visam estimular o consumo compulsivo se torna uma tarefa quase impossível. Na busca por economia ou oportunidades de levar alguma vantagem nas compras, as pessoas acabam fazendo um mau negócio.

Falta de planejamento

O planejamento é um dos pilares para uma vida financeira equilibrada. Mas planejar gastos não significa apenas estabelecer metas e sim controlar de forma efetivatodas as despesas. Ao planejar uma compra, por exemplo, é preciso considerar até quando você pagará por aquele produto e quais compromissos financeiros você terá nos meses seguintes.

Isso é importante para evitar situações nas quais as pessoas contam com uma renda extra no fim do ano com o 13º salário, mas esquecem de colocar na conta as despesas do início do ano como IPTU, IPVA e mensalidade escolar. Se você deseja alcançar o equilíbrio, precisa parar de evitar encarar a situação e anotar todo o dinheiro que entra e sai.

Endividamento

O consumo compulsivo e a falta de planejamento, juntos, criam uma armadilha para a formação de dívidas. Para piorar a situação, muitas famílias ao se verem endividadas não sabem como sair dessa situação e, mais uma vez, a educação financeira pode fazer toda a diferença. Saber quais as alternativas para negociar as dívidas e montar uma estratégia para reduzir despesas são passos fundamentais para vencer o endividamento.

Dificuldade para atingir objetivos

Sem planejar, também fica mais difícil conquistar objetivos de vida como comprar a casa própria e investir na educação para que os filhos tenham oportunidades de melhorar de vida. Uma lição importante da educação financeira e que todos nós devemos aprender é: cada real conta e, para metas de longo prazo, é fundamental se esforçar para seguir o planejamento estabelecido.

Problemas na aposentadoria

Gastando de forma errada ao longo da vida, muitas pessoas acabam enfrentando muitas barreiras na hora de se aposentar, como a falta de uma reserva financeira e o endividamento. Não fique constrangido se você ainda não começou e está enfrentando dificuldades. Não existe momento ideal para rever o orçamento, mas quanto antes você começar, será possível ter resultados concretos.

Enfim, buscar informações sobre educação financeira e falar sobre esse tema não deve ser tabu, muito menos motivo de vergonha. Boa parte dos brasileiros não teve a oportunidade de aprender como cuidar do dinheiro. Mesmo quando as pessoas entendem um pouco mais sobre finanças pessoais, sabemos que é realmente difícil colocar todos os conceitos em prática.

Por isso, faz toda a diferença dar o primeiro passo na busca por conhecimento. Entender como lidamos com o dinheiro pode ajudar você a melhorar a forma como cuida das próprias contas e pode até melhorar a sua qualidade de vida. Quando os desafios aparecerem, como aquela meta frustrada ou uma despesa de última hora, não é hora de desistir e sim de procurar mais informações e descobrir novas soluções.

Agora que você já deu o primeiro passo para entender a relação do brasileiro com dinheiro, assine a nossa newsletter para receber mais informações sobre educação financeira e como cuidar melhor do seu orçamento.

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