Organização financeira para quem não tem salário fixo.

Não tenho salário fixo: como posso me organizar financeiramente?

Acordo Certo

maio 28, 2018

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Nos últimos anos, tem crescido no Brasil o número de trabalhadores autônomos, devido à queda de empregos gerada pela crise econômica. Nesse cenário, é normal que você tenha dúvidas na hora de fazer seu orçamento pessoal, questionando-se — “Afinal, se não tenho salário fixo, como posso me organizar financeiramente?”.

Traçar um bom planejamento é muito importante para quem não tem salário fixo. No entanto, por causa das incertezas desse estilo de vida, a organização dos gastos também é mais difícil de ser feita.

Pensando nisso, separamos, neste post, algumas dicas essenciais para você tentar controlar o seu dinheiro, mesmo sem a garantia do salário na conta todo mês. Quer saber mais? Confira a seguir!

Qual a importância de ter um planejamento financeiro?

Um planejamento financeiro é um grande desafio para quem não tem um salário fixo. É o caso de profissionais liberais e empreendedores. Infelizmente, muitos orçamentos não levam em conta uma renda fixa. No entanto, isso não quer dizer que, no seu caso, essa tarefa seja dispensável ou improdutiva. Muito pelo contrário.

Uma vez que sua receita pode ser maior ou menor do que você esperava, estar preparado para tempos de crise é fundamental, e será o planejamento que dará a você as ferramentas necessárias para isso. Colocando tudo no papel, você terá mais condições de lidar com os meses em que receber menos que o valor de costume, além de saber o que fazer de forma inteligente naqueles em que receber mais que o esperado.

Por exemplo, muitos profissionais liberais esbanjam em períodos de maior entrada de recursos, mas, daí, falta dinheiro em meses de escassez. O planejamento ajuda a frear o consumo e a garantir reservas estratégicas, tanto para fazer investimentos quanto para assegurar uma maior tranquilidade financeira.

Por isso, vamos compartilhar algumas dicas que vão ajudá-lo a evitar esses erros. Vamos lá?!

“Não tenho salário fixo, como me planejo?”

Faça um orçamento mensal e um anual

Fazer um orçamento mensal é fundamental tanto para quem tem salário fixo quanto para quem não tem. Esse é o melhor meio de separar as despesas fixas das variáveis e garantir que você consiga pagar todas as contas sem surpresas no final do mês. Porém, quem não tem renda fixa precisa se preocupar também em montar um orçamento anual.

Dessa forma, você conseguirá enxergar melhor a própria situação financeira e identificará em quais épocas do ano os rendimentos são maiores e menores. Isso ajudará a equilibrar os gastos e a fugir de problemas.

Fazendo isso, você saberá, com antecedência, quando precisará usar suas reservas financeiras, além de colocar, na ponta do lápis, custos fixos que não podem ser cortados, como luz, água, gás e aluguel. Inclua também as despesas de início de ano (IPVA, IPTU e Imposto de Renda), e de preferência, tente se planejar para pagar essas taxas à vista e com desconto.

Calcule a média mensal do seu rendimento

Algo muito simples que pode ser feito é pagar a si mesmo uma espécie de remuneração fixa. Para isso, o ideal é ter, pelo menos, duas contas: uma do seu negócio e outra pessoal. Daí, todos os meses, você transferirá esse valor fixo para a sua conta pessoal, independentemente de ter produzido mais naquele mês. Mas como saber qual será esse valor fixo?

O primeiro passo é descobrir o montante das suas despesas. Some todos os seus gastos fixos mensais e multiplique por 12. Então, acrescente aquelas contas anuais, como seguro do carro, IPVA, IPTU e outros impostos. Depois, divida o resultado por 12. Você terá, então, o valor mínimo que precisa retirar por mês para sustentar suas despesas sem ficar endividado.

Mas se sua renda varia muito, o processo será diferente. Some todos os ganhos dos últimos 12 meses, subtraia pelas despesas do negócio, reserve, pelo menos, 10% para poupar, e o restante será o lucro. Divida esse lucro por 12 e você terá o máximo que pode tirar como salário. Dependendo do valor, é interessante separar entre o que será seu salário e o que será lucro da empresa, que você pode usar para reinvestir nela (para compra de equipamentos ou expansão, por exemplo).

Estipule metas e objetivos

São as suas metas que lhe darão o incentivo necessário para você controlar seus gastos e poupar mais, mesmo que não conte com um salário fixo todo mês. Pense no que você quer. Negociar uma dívida e limpar seu nome? Viajar com a família nas férias das crianças? Guardar para a aposentadoria?

Em vez de esperar fechar um grande contrato de trabalho para ir atrás desses sonhos, faça pequenos investimentos para torná-los realidade. Fazendo um controle eficiente do orçamento, fica mais fácil saber quanto poderá reservar mensalmente e quais ajustes precisará fazer para atingir seus objetivos.

Também é importante estipular metas profissionais. Quantos trabalhos você quer fechar até o final do mês? Quantas vendas quer fazer? Quanto quer ganhar? Isso te ajuda a focar seus esforços.

Priorize seus gastos

Priorizar os gastos é a base de uma vida financeira saudável, principalmente para quem não tem a garantia do salário mensal. Se você tem dívidas, coloque seu foco em quitá-las assim que possível. Lembre-se: em uma vida tão incerta, menos parcelas e financiamentos significam menos dores de cabeça.

Outra boa atitude é ver como você pode cortar gastos desnecessários na sua rotina. Com isso, você consegue economizar e aumentar suas reservas para usar quando a situação apertar. Em vez de pagar uma academia renomada, por exemplo, experimente procurar locais com mensalidades mais baixas ou fazer uma caminhada por conta própria.

Reavalie a necessidade de um cartão de crédito

Uma vez que você não tem salário fixo, fica difícil afirmar se terá dinheiro suficiente para pagar todos os parcelamentos que fará. E se você não sabe controlar os gastos, dificilmente, não terá pagamentos a prazo no cartão. Isso é um grande risco.

Lembre-se de que o cartão de crédito não é uma despesa, mas, sim, uma forma de pagamento. Assim, se decidir utilizá-lo, faça isso com sabedoria.

Não faça compras fora do orçamento

Ser autônomo significa ter um orçamento mensal variado. Portanto, é normal que seu poder de compra em alguns meses seja menor que em outros. Nesse cenário, é fundamental respeitar seu limite de gastos e esforçar-se para não comprar nada que esteja fora dos planos.

Ao evitar compras por impulso, você usa seu dinheiro de forma inteligente. Para ajudar no autocontrole, uma boa tática é usar listas. Antes de ir ao supermercado, por exemplo, faça uma relação de todos os produtos que precisa comprar e não leve nada que esteja fora dela. Deixar de comprar aquelas guloseimas extras pode representar uma enorme economia no final do mês.

Faça investimentos de curto prazo

Sem salário fixo, ter uma reserva financeira é importante para não passar sufoco. Por isso, procure ter um dinheiro separado para imprevistos, como comprar remédios que não estavam nos planos ou outros tipos de emergências. O jeito mais eficiente de fazer isso é aplicando esse dinheiro em investimentos de curto prazo e com alta liquidez.

Ao deixar o dinheiro parado na conta-corrente na maioria dos bancos, você perde a chance de vê-lo render. Muita gente aposta na poupança, mas ela oferece um retorno muito baixo. Por outro lado, investimentos mais complexos significam um alto risco, além de você não poder mexer no valor por um longo período.

Por isso, quando possível, aplique pequenas quantias em títulos de renda fixa, como Tesouro Direto e CBDs, com liquidez diária (ou seja, que pode ser resgatado a qualquer momento). Assim, você mantém seu dinheiro rendendo a uma taxa maior que a da poupança e pode sacar o valor a qualquer momento, sem o risco de ficar na mão quando precisar.

Diversifique suas atividades e fontes de renda

Uma regra de ouro para quem trabalha por conta própria é: nunca dependa de uma única fonte de renda. Procure diversificar suas atividades profissionais. Dessa forma, você protege sua vida financeira e passa a contar com uma renda parecida com um salário fixo.

Em épocas de menos trabalho, nada de ficar parado! Use o tempo livre para se dedicar a estudos e a outras atividades paralelas. Assim, você enriquece seu currículo e torna-se um profissional mais preparado, o que o ajudará a aumentar seus ganhos no futuro.

Separe os gastos pessoais dos profissionais

Não importa qual é seu ganha-pão: é fundamental separar os gastos pessoais dos profissionais. Por mais que você trabalhe por conta própria, sua atividade precisa de uma reserva de dinheiro para reposição de material e contratação de fornecedores, entre outros custos corriqueiros.

Se você destinar 100% do que ganha trabalhando para seu orçamento pessoal, não sobrará nada para manter seus serviços funcionando. Da mesma forma, se todo o seu dinheiro for investido no trabalho, você não terá dinheiro para suas necessidades básicas.

Crie uma reserva de emergência

Especialmente se você não tem um emprego fixo, ter uma reserva financeira é muito importante. A recomendação é que esse montante seja a média das suas despesas mensais multiplicada por 12. Assim, você terá uma reserva suficiente para suprir suas despesas por, pelo menos, 1 ano.

Utilize a regra do 50-15-35

Essa é a estratégia de dividir seus gastos utilizada por muitos especialistas. A regra diz que:

  • 50% do orçamento deve ser direcionado para gastos fixos;
  • 15% é direcionado para investimentos financeiros;
  • 35% pode ser direcionado para gastos variáveis e desejos, como entretenimento, passeios, comida fora de casa etc.

“Mas, se não tenho salário fixo, como posso me organizar dessa maneira?”. O ideal é gastar menos do que 35% em despesas variáveis e economizar mais que 15%. Isso garante a você um equilíbrio interessante.

E aí, gostou das dicas? A partir de agora, “não tenho salário fixo” não será mais uma justificativa para deixar de se organizar financeiramente, não é? Basta se planejar e administrar bem os gastos para pagar as contas em dia e lidar bem com os imprevistos!

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