O que é inadimplência e Como Evitar?

O desemprego e a crise econômica são os principais fatores que levam o consumidor à inadimplência. Mas quando se está enrolado nas dívidas é difícil conseguir entender como sair do nome sujo e resolver de vez essa situação. Saber como evitar a inadimplência e se proteger para não ser um inadimplente recorrente é fundamental para […]

O que é inadimplência e Como Evitar?

O desemprego e a crise econômica são os principais fatores que levam o consumidor à inadimplência. Mas quando se está enrolado nas dívidas é difícil conseguir entender como sair do nome sujo e resolver de vez essa situação.

Saber como evitar a inadimplência e se proteger para não ser um inadimplente recorrente é fundamental para sua saúde mental e financeira.

Atualmente, mais de 25% das famílias brasileiras estão com contas em aberto, uma taxa de inadimplência preocupante economicamente falando.

Mas o que significa inadimplência? É o mesmo que nome sujo? E como isso afeta meu dia a dia?

Além de aprender como sair dessa situação, entender o que significa cada termo é indispensável para ficar longe desse tipo de problema.

Afinal, o que é inadimplência?

Inadimplência na definição do dicionário da língua portuguesa é “falta de cumprimento de uma obrigação”. Como estamos falando de dinheiro, esta definição é simples: se você descumpriu com algum pagamento fora do prazo do fim do contrato ou data de vencimento, você está inadimplente.

Esse pagamento não efetuado pode ser de uma conta de água até os casos mais sérios como cheque especial e cartão de crédito, onde os juros podem ser até abusivos.

É bom lembrar que pessoas jurídicas (CNPJ) também podem estar inadimplentes.

Assim como não se fica inadimplente apenas com bancos e financeiras, você pode ficar inadimplente de taxa de condomínio, aluguel, mensalidade escolar, pensão alimentícia ou de impostos federais.

NEGOCIE SUAS DÍVIDAS

O que é risco de inadimplência?

Para evitar ter clientes inadimplentes, instituições financeiras e empresas analisam o risco de inadimplência.

Isso é calculado junto com as possibilidades de liberação de crédito e somado a fatores como score de crédito e análise de investimentos que o consumidor possui ou não.

Tudo isso é para mensurar qual é o tamanho do risco que a instituição ou empresa corre  ao emprestar dinheiro ao consumidor e ele eventualmente não pagar. 

Algumas empresas, para não correr riscos de inadimplência, optam por receber pagamentos com menores prazos, outras não fazem a emissão de boletos e outras inclusive não aceitam cartão de crédito.

Tudo isso para evitar que algum consumidor deixe de pagar.

Já nos bancos, a análise é mais longa, mas o score, por exemplo, está diretamente ligado como um sinal de alerta.

Score baixo, dívidas em aberto, dívidas não pagas por mais de 5 anos (mesmo sem restrição) e altos valores de empréstimos e financiamentos em andamento podem ser fundamentais para analisar um alto risco de inadimplência.

Neste caso, o banco pode entender que mesmo com o nome limpo, aquele consumidor pode não ter a capacidade de arcar com o cartão (se aprovado) ou com a liberação do cheque especial.

Quando fica a dúvida do potencial do cliente, o banco libera seu crédito aos poucos. 

Sua aprovação inicial é baixa para que o banco entenda como aquele consumidor vai se comportar com a liberação daquele crédito.

Caso ele tenha bons comportamentos, como pagamento em dia das faturas e criando um relacionamento saudável com seu dinheiro, o banco ou empresa libera um limite maior.

Afinal ninguém quer correr o risco de liberar um dinheiro para alguém que corre o risco de “nunca” pagar, não é mesmo?

NEGOCIE SUAS DÍVIDAS

Quais as consequências de estar inadimplente?

São várias as consequências de estar inadimplente. O mais comum é ter algum crédito negado, mas não é só isso que impacta a vida de quem possui débitos em aberto.

Fica de olho nas 5 principais consequências de quem se encontra nesta situação:

  • Restrição ao crédito

Apesar de ser a primeira consequência, existem possibilidades de acesso ao empréstimo para negativado. Mas este é um crédito bem específico e custa muito mais que as solicitações de empréstimo comuns.

O primeiro local de busca de informações de uma instituição financeira é o sistema de score dos Órgãos de Proteção ao Crédito, portanto, ter qualquer tipo de dívida pode custar o seu tão sonhado financiamento da casa própria.

  • Multas e juros, algumas vezes abusivos

Já escutou a frase da nossa educadora financeira, Bruna Allemann: “Prefira receber juros e não pagar juros”? Às vezes não reparamos no desperdício total que temos com pequenos atrasos de contas, que não somam nem R$ 5,00.

Mas quando falamos de cartão de crédito e cheque especial, a cobrança dos juros pode tornar praticamente inviável a quitação da sua dívida.

De acordo com a comparação da Proteste (Associação Brasileira de Defesa dos Consumidores) no primeiro semestre de 2021, alguns cartões podem chegar a ter 747% ao ano de taxa de juros cobrados no caso de pagamento mínimo e utilização do crédito rotativo.

Veja parte da lista divulgada das taxas de alguns cartões (ao ano):

  1. Banco Inter Gold: 143,55%
  2. Next Visa Internacional: 210,43%
  3. C6 Bank Cartão C6: 268,91%
  4. Digio: 271,81%
  5. Nubank: 385,17%
  6. Banco Original Internacional: 402,47%
  7. Itaú Credicard Zero: 417,70%
  8. Banco Pan Zero Anuidade: 747,19%
  9. Banco Pan Básico: 747,19%
  • Problemas judiciais

Além da dor de cabeça, alguns contratos de empréstimo e financiamento, principalmente aqueles com garantia real (imóveis, automóveis, jóias, etc.) ainda precisam passar por um processo judicial ou de penhora de bens. 

Mas o que é isso?

Quando você contrata o crédito atrelado à alguma garantia e não cumpre com as obrigações financeiras, o banco ou empresa pode ir à justiça tomar posse do bem que você comprou para “pegar de volta”.

Muitas vezes, nesses casos, além de ficar sem seu imóvel ou carro, você não recebe nem 50% do valor que pagou por conta dos custos judiciais que são tirados do valor que você tem a receber.

Uma verdadeira tragédia e uma das formas mais rigorosas de cobrança de inadimplentes.

  • Suspensão de serviços

Este caso acontece muito com as contas básicas como água, luz, telefone, internet, gás, etc. Necessidades básicas, mas que podem ser tiradas do consumidor na falta de pagamento.

Em algumas delas, essa suspensão não é automática, acontecendo até o terceiro mês de inadimplência. 

Mas será que vale a pena?

  • Prejuízos à saúde mental

Stress, crises de ansiedade e problemas de saúde podem ser alguns dos sintomas de quem está inadimplente.

“Para falar de dinheiro é preciso falar de vida” – Bruna Allemann

É muito difícil se ver nesta situação e para afetar a saúde física e mental é mais fácil do que se imagina.

Portanto, ter as contas em dia significa ter uma saúde mental em dia, não só financeira.

Qual a diferença entre dívida e inadimplência?

Dívida é um comprometimento financeiro, mesmo que ele seja pago em dia ou não, você pode estar endividado. Financiamento imobiliário é um exemplo de dívida.

Agora Inadimplência é quando você não cumpre com esta obrigação financeira e deixa passar a data de vencimento do seu contrato de financiamento. Parcelas em aberto que podem resultar o seu nome sujo

Inadimplência e nome sujo: quais as diferenças?

Você sabia que pode estar inadimplente, mas não com o nome sujo?

Isso ocorre em duas situações: a primeira é quando seu atraso ocorreu em um curto espaço de tempo. Vamos supor que o vencimento do seu compromisso financeiro foi no mês passado.

Algumas empresas, antes de sujar o nome, ainda recorrem à tentativa de negociação e após um prazo determinado, algumas vezes 30 a 90 dias, que solicitam a restrição nos Órgãos de Proteção ao Crédito como a Boa Vista ou Serasa. 

Outro exemplo é quando você possui “dívida caduca”. Ou seja, após o prazo de 5 anos o seu nome não possui mais a restrição, porém, sua dívida ainda não sumiu.

Ou seja, você ainda possui uma obrigação financeira em aberto e é necessário buscar limpar o nome o mais rápido possível.

NEGOCIE SUAS DÍVIDAS

Motivos que te levam à inadimplência

Como falamos, existem inúmeros motivos que podem levar à inadimplência, mas alguns especificamente são os mais comuns. Aqui vão eles:

  • Crise e desemprego;
  • Diminuição de renda por motivos particulares ou profissionais;
  • Falta de controle financeiro ou de organização financeira;
  • Salário atrasado e falta de reserva de emergência;
  • Parcelamentos excessivos e descontrole de gastos;
  • Crédito fácil, empréstimo para negativado e taxa de juros abusivos.

Para a economia, nunca é bom ter um percentual grande da população inadimplente. Hoje no Brasil são mais de 60 milhões de inadimplentes e o número preocupa, pois isso enfraquece a economia e causa mais impactos sociais como o desemprego e fechamento de empresas. 

Por isso, é fundamental políticas governamentais que apoiam não só o consumidor, mas também as empresas.

Aquecer a economia é colocar crédito barato em jogo, inflação das necessidades básicas controladas e dinheiro na mão para que o povo possa consumir.

É para isso que servem as políticas econômicas de um país.

Inadimplência: endividado ou superendividado?

O primeiro passo para entender sua inadimplência é saber em qual grau de endividamento você está.

Em julho de 2021, o Presidente da República Jair Messias Bolsonaro aprovou a lei do superendividamento que visa proteger famílias da vulnerabilidade e cobrança de juros abusivos de dívidas contraídas que viraram uma verdadeira bola de neve. 

Em qual grau de endividamento você se encontra?

Endividado Consciente: Possui empréstimo, financiamento ou cartão de crédito com parcelas, mas sob controle. Seus gastos não são maiores que seus ganhos e você consegue quitar com suas obrigações financeiras.

Endividado Inconsciente: Possui empréstimo, financiamento, contas diversas ou cartão de crédito com parcelas em atraso.

Seus gastos ultrapassam sua capacidade financeira, mas ainda há a opção de quitar seus débitos através de uma consulta CPF e negociação das dívidas.

Superendividado: Neste grau unindo todas as dívidas pessoais, mesmo havendo uma negociação, as parcelas são muito superiores às condições financeiras do endividado.

Ou seja, mesmo que você tente negociar o valor mensal para quitar seu débito, vai ultrapassar 35% do que você ganha no mês, podendo afetar as necessidades básicas como: saúde, alimentação, educação, transporte e moradia.

Em qualquer um dos graus acima mencionados, a disciplina financeira é fundamental.

No caso de não estar inadimplente, manter suas obrigações ou compromissos financeiros é fundamental para você não perder a mão.

No caso dos outros dois graus, a disciplina vale para conseguir arcar com as parcelas do seu acordo do começo ao fim.

Pense nisso!

NEGOCIE SUAS DÍVIDAS

As 4 maiores dúvidas sobre inadimplência

Não caia em ciladas por aí e tire todas as suas dúvidas sobre a inadimplência:

Posso abrir conta em banco mesmo inadimplente?

Pode! Para abrir conta em banco é preciso necessariamente ter nome limpo, dependendo da instituição financeira. O que o banco pode te negar é crédito e liberar apenas uma conta simples de débito.

Posso tirar passaporte mesmo inadimplente?

Pode! A lei brasileira proíbe que dívidas em aberto o proíba de locomoção. Portanto, consulados e a polícia federal não costumam dificultar sua aprovação por conta disso.

Fiz uma negociação da minha dívida, consigo limpar meu nome?

Caso esta seja a única dívida que você tem em aberto a retirada da restrição no seu nome é feita de forma automática assim que você realizar o pagamento do seu acordo.

Mas lembre-se, se você renegociar sua dívida e deixar de pagar alguma parcela, a empresa que você está devendo tem o direito de sujar o seu nome novamente.

Portanto, para manter o nome limpo, quite suas parcelas até o final.

No caso de quem tem mais de uma dívida, o nome fica limpo conforme for realizando as negociações. Não é uma dívida paga que apaga todas as outras.

Cada dívida precisa ser negociada separadamente.

Posso não conseguir emprego estando inadimplente?

Atualmente é proibido o impedimento de se conseguir um emprego com o nome sujo. Afinal, como quitar a dívida sem possuir renda, não é mesmo?

Mas é válido lembrar que isso é válido para empresas privadas.

No caso de concurso público, vale olhar o edital e verificar se não há nenhuma restrição (que geralmente existe).

Qual os impactos da inadimplência no Fies?

Caso você não pague suas parcelas do FIES e entre na lista de inadimplentes do CADIN, você pode se tornar inapto para abrir contas, receber empréstimos, utilizar cheque especial e tem a restituição do imposto de renda bloqueada. 

Atualmente o Brasil conta com 50%, em média, de inadimplentes do FIES, causando uma grande crise no programa. Nem sempre facilidades de pagamento são a solução.

Quando se contrai uma dívida a longo prazo é necessário verificar qual o potencial de renda dentro daquele tempo.

Desemprego e redução de renda são os principais motivos, mas o que é uma possibilidade pode se tornar a maior dor de cabeça para uma formatura.

Portanto, muito cuidado ao contrair dívidas longas, mesmo que seja para capacitação.

NEGOCIE SUAS DÍVIDAS

Como sair definitivamente da inadimplência?

Conheça suas dívidas. Pegue um papel e caneta e coloque todos os valores que você está devendo na praça.

Dê preferência às dívidas mais antigas e mais caras. Pague a menor taxa de juros que conseguir e negocie a parcela que cabe no seu bolso.

Organize suas finanças e aprenda com os erros financeiros do passado. Reserve 20% da sua renda para pagar as dívidas e depois para começar a fazer sua reserva de emergência. Não caia neste ciclo novamente.

Busque renda extra para quitar seus débitos mais rápido.

Avalie se um empréstimo possui uma taxa de juros mais barata que a sua dívida. Isso não serve para todos os casos, portanto faça a matemática.

Mude seus hábitos. Como dizia nossa avó: “Dinheiro não leva desaforo.”

Perguntas frequentes

Quais os principais motivos para a inadimplência?

Alguns dos principais motivos para a inadimplência são desemprego, redução de renda, falta de organização financeira e gastar mais do que se ganha.

Mas atualmente existem inúmeras formas de contornar esta situação e a educação financeira está a disposição para tirar você da zona de conforto e mudar a forma que você lida com o seu dinheiro.

Quanto tempo posso ficar inadimplente?

Não existe tempo mínimo ou máximo. O ideal é não estar inadimplente nunca. Manter as contas em dia é um comprometimento não só financeiro, mas consigo mesmo.

Busque alternativas, renegocie sua dívida, reserve uma parte da sua renda para quitar seus débitos e, posteriormente, guardar para seu futuro.

Os impactos negativos são muito maiores como: falta de crédito, impossibilidade de comprar seu primeiro automóvel financiado ou mesmo deixar de conquistar o sonho da casa própria.

Então, quite suas dívidas o quanto antes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Seu bem-estar financeiro

Receba os artigos
do blog no
seu e-mail.