O pagamento mínimo do cartão de crédito pode ser uma facilidade para quem ficou com um valor alto na fatura do mês, mas será que vale a pena utilizar esse recurso? O fato é que, como qualquer tipo de crédito, é preciso ter atenção aos juros e às regras que se aplicam a ele.

Neste post, vamos entender como funciona essa alternativa, se existe alguma diferença entre as instituições financeiras ligadas aos cartões de crédito e se é recomendável utilizar essa modalidade ao lidar com as cobranças em questão. Acompanhe!

Como funciona o pagamento mínimo do cartão de crédito?

Quando o consumidor opta por pagar apenas uma parte do valor total da fatura do cartão de crédito, o saldo restante é refinanciado para o próximo mês. Para isso, o cliente deve respeitar o pagamento mínimo que atualmente é de 15% do valor total da cobrança — a partir de 1º de junho de 2018, a determinação do Banco Central (BC) define que as instituições financeiras poderão escolher qual percentual elas vão cobrar, de acordo com o perfil financeiro do usuário do cartão.

Isso quer dizer que se as despesas com um cartão de crédito forem de R$ 1.000,00 em determinado mês, o pagamento mínimo considerando o percentual de 15% será de R$ 150,00. Ao pagar uma quantia maior ou igual a R$ 150,00 e menor que R$ 1.000,00, esse cliente estará em dívida com a operadora e entrará no chamado crédito rotativo.

Suponha, então, que ele pague apenas esse mínimo de R$ 150,00 no primeiro mês, deixando um saldo devedor de R$ 850,00. No segundo mês, será cobrado o valor de R$ 850,00 acrescido dos juros do rotativo, que variam de instituição para instituição. Considerando que essa taxa seja de 10% ao mês (falaremos mais sobre ela na próxima seção), o valor devido será de R$ 935,00.

Então, o cliente terá a opção de pagar o valor integral da dívida ou parcelar esse valor com uma taxa menor que os juros do rotativo e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), em até 12 vezes iguais. Se não cumprir com essas obrigações, o usuário estará inadimplente e sujeito a outros encargos.

Até então, as instituições poderiam cobrar juros maiores de quem estivesse em situação de inadimplência, uma taxa conhecida como rotativo não regular. Porém, com as regras que entram em vigor em 1º de junho de 2018, as instituições devem cobrar dos inadimplentes os mesmos juros comuns do rotativo, além de multa por atraso de 2% e mora de 1% ao mês.

Quais são as taxas de juros dessa modalidade?

É muito importante saber que a taxa de juros do rotativo está entre as maiores do mercado. Segundo o Banco Central, ela atualmente está em pouco menos de 12% ao mês, na média. Utilizamos uma média porque os bancos e outras instituições que oferecem o serviço de cartão de crédito cobram percentuais distintos.

Para se ter uma ideia do quão elevado é esse valor, vamos compará-lo com o rendimento da poupança. Sua taxa de menos de 0,5% ao mês certamente não a coloca entre os melhores investimentos financeiros, mas nos ajuda a enxergar como uma dívida do cartão de crédito pode sair cara.

Outro fator a se levar em conta é o quanto os juros compostos podem ser perigosos. Se uma dívida de 12% ao mês não for paga, ao final de um ano vai crescer quase 290%, o que ficaria próximo de quatro vezes o valor inicial.

Ou seja, depois de 12 meses, um saldo devedor como o de R$ 850,00 que vimos na seção anterior, a uma taxa de juros do rotativo de 12%, ficaria em R$ 3.311,58!

Vale a pena utilizar o pagamento mínimo?

Vimos como a taxa de juros do rotativo é extremamente alta e como uma dívida pequena pode se transformar em uma enorme despesa. Por esse motivo, a recomendação é que o pagamento mínimo seja utilizado apenas em último caso. Se você tiver o dinheiro para fazer o pagamento total da fatura, o ideal é pagar esse valor e evitar a possibilidade de se endividar.

Outro ponto negativo é que, quanto mais você deve, menor será o limite disponível do cartão. Isso significa que ao optar pelo pagamento mínimo, mais apertado ficará o limite. Isto pode ser ruim, especialmente se você costuma pagar gastos fixos com o cartão.

Contudo, devemos admitir que imprevistos acontecem com qualquer pessoa e entrar no rotativo pode ser a melhor opção em uma situação de emergência. Por isso, é essencial pesquisar muito bem antes de escolher um cartão de crédito. E se você já tiver um, vale a pena consultar os encargos e analisar se não existem opções melhores no mercado.

Para uma análise adequada, procure principalmente por estes fatores no contrato ou no site da instituição financeira:

  • porcentagem de pagamento mínimo;
  • taxa de juros do rotativo;
  • taxa de juros de parcelamento;
  • juros de mora;
  • multa de atraso;

Lembrando que a porcentagem de pagamento mínimo, a taxa de juros do rotativo e a taxa de juros de parcelamento poderão variar de cliente para cliente. Por esse motivo, as instituições financeiras mostram esses números como um intervalo, com uma taxa de juros do rotativo de 2,75% – 14,00% ao mês, por exemplo.

Os juros de mora e a multa de atraso ficarão em 1% e 2% ao mês, respectivamente, como vimos antes, mas não custa conferir.

Diante de todas as informações que vimos até aqui, podemos concluir que recorrer ao pagamento mínimo é um recurso a se evitar. Por mais tentador que seja pagar um pequeno valor e deixar para lidar com o saldo restante no futuro, existem altíssimas taxas de juros que infelizmente só deixarão a sua dívida maior.

Sendo assim, só utilize o pagamento mínimo do cartão de crédito em caso de necessidade e, quando estiver nessa situação, procure quitar logo o saldo devedor para não se sujeitar a mais juros e mais dívidas.

Agora ficou claro o que é um pagamento mínimo e qual é a sua finalidade? Então, que tal se informar ainda mais sobre o assunto? Confira como usar o cartão de crédito do jeito certo!